Cerca de 100 mil pessoas estão empregadas pelo agronegócio no Ceará, mesmo patamar de contratação das indústrias têxtil e de calçados, segundo aponta o secretário Maia Júnior (Desenvolvimento econômico)

Impressionado com a grandiosidade da Fruit Logistica – maior feira de frutas do mundo encerrada ontem (7) – e mais ainda com a forte presença cearense nela, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Maia Júnior, disse, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, que, a partir de agora, sua tarefa é cuidar da promoção do potencial do agronegócio do Ceará, atraindo novos empreendedores e fortalecendo os atuais.

Fundamentando sua opinião, Maia Júnior lembrou que o agronegócio emprega hoje – apesar de sete anos de baixa pluviometria – cerca de 100 mil pessoas. É o mesmo número de empregos que dão os setores têxtil e calçadista.

“Temos no Ceará, de acordo com o que me informa o secretário Executivo Sílvio Carlos Ribeiro, 400 mil estabelecimentos rurais, em cada um dos quais vivem até três pessoas, em média. Assim, temos no campo uma mão de obra de 1,2 milhão de pessoas, 900 mil das quais trabalhando na informalidade”, lembrou Maia Júnior, destacando o papel da Secretaria Executiva de Agronegócio da SDE.

“Por meio dela, vamos trabalhar para reunir o empresariado e a academia para que a inteligência da universidade e suas pesquisas se adequem aos projetos de modernização da agropecuária do Estado”, anunciou o secretário.
Políticas acertadas

Nos últimos 30 anos – fez questão de salientar o secretário – o Ceará foi protagonista de políticas públicas acertadas, citando como exemplo os agentes de saúde, o seguro safra – “criado no primeiro governo Tasso Jereissati pelo então secretário de Agricultura, Sisnando Leite e copiado por vários estados, a gestão dos recursos hídricos e a severa política fiscal que mantém equilibradas as contas públicas”.

Maia complementou: “Estamos há sete anos com baixa pluviometria, e mesmo assim não se registrou qualquer evento trágico. Ainda assim não conseguimos dar segurança hídrica ao agronegócio. Há, porém, uma boa perspectiva no curto prazo com a chegada das águas do Projeto São Francisco, com a primeira usina dessalinizadora da água do mar e com o programa financiado pelo Banco Mundial, no valor de US$ 176 milhões – de criação do que estamos chamando de ‘rios encamisados’, adutoras em aço, que, evitando a evaporação, nos darão pelo menos 30% de economia de água, e isto é gestão hídrica”.

Gestão da água
Ele assegurou que duas providências estão sendo tomadas pelo Governo estadual: a primeira é o aprimoramento do processo regulatório da gestão da água, melhorando o aparato institucional; a segunda são “fortes investimentos” em novas tecnologias, de apoio à pesquisa para identificar culturas mais adequadas. “E isto eu vi na Fruit Logistica. Novas variedades de tomate, banana e pimentão, culturas que se desenvolvem bem no Ceará”.

Maia fez questão de destacar a presença de empresários do agronegócio no evento. “Os irmãos Prado (da Itaueira) se dividiram aqui: cada um foi conhecer as novas tecnologias que surgiram no último ano nas diferentes culturas que eles desenvolvem nas suas fazendas. O Edson Brok (que produz banana na Chapada do Apodi) e o Carlo Porro (sócio da Agrícola Famosa, que produz melão em Icapuí), fizeram a mesma coisa. Eles sabem que é preciso estar atualizado tecnologicamente, pois é o mercado que o exige”.

Fonte: Diário do Nordeste em 07/02/2020

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