O e-commerce no nordeste vem crescendo acentuadamente em número de consumidores e volume de compras, contudo, poucas empresas da região estão apostando efetivamente nessa área e estruturando adequadamente esse canal de venda tão precioso.

Segundo os dados do Ebit Nielsen, esse setor teve um crescimento de 12% no último ano,surpreendentemente em um momento em que a economia em geral apresentava sinais de ajustes.

É evidente que existem alguns desafios que causam receio no momento de investir no crescimento do mercado online, porém, as oportunidades progressivas apresentam um cenário favorável que deve ser considerado na perspectiva da transformação digital e do cenário que a humanidade está vivendo no momento.

Algumas das diversas questões que temos que considerar se refere ao aspecto da territorialidade ampla e acesso a alguns locais, atrelados a aspectos sociais que podem impedir que o e-commerce no nordeste seja realmente explorado.

Embora devam ser consideradas, observamos que esse contexto tem se alterado gradativamente nos últimos anos com uma tendência de ajustes de acordo com as previsões do mercado.

Porque o e-commerce no nordeste não tem investimentos
O e-commerce pode ser encarado como uma estratégia de mercado que surgiu com a popularização da internet, onde todas as fases da transação são feitas no meio digital. Essa janela possibilitou que pessoas de diversas partes do país e do mundo passassem a adquirir produtos sem sair de casa, e que não fossem fabricados, necessariamente, próximos a sua residência.

Por outro lado, a globalização aumentou exponencialmente, e se tornou possível comprar mercadorias do mundo todo, não apenas do Brasil. Uma vez que essa possibilidade se tornou comum, produtos importados passaram a chegar
nas alfândegas nacionais, para serem distribuídos. Contudo, os aeroportos de destino se localizam na parte sul do país, próximos aos grandes centros de comércio.

A região sudeste representa, atualmente, 58% dos consumidores de e-commerce. Sendo assim, transportar produtos chegados do sul para o nordeste é economicamente mais caro, o que ocasiona fretes mais caros, tornando os produtos desinteressantes. Com menos consumidores, menos empresas acreditam que seja viável investir em entregas nessa região, realizando a manutenção desse ciclo e proporcionando uma estagnação do e-commerce no nordeste.

Distanciamento cultural
Além da questão territorial, há um certo distanciamento cultural com o nordeste por parte de outras regiões. Historicamente, a região sul e centro-oeste foram colonizadas primeiro, possuindo maior investimento e recebendo a maior parte dos imigrantes.

Essas regiões criaram estratégias de desenvolvimento pautadas na industrialização e modernização de outros setores da economia, de modo que a economia passou a se concentrar, em grande parte, nesses locais.
Dessa forma, muitas pessoas, e o mercado em geral, mantêm o imaginário que essas regiões possuem maior poder econômico, enquanto as localidades do norte e nordeste são menos abastadas.

Essa linha de raciocínio, ainda que involuntariamente, leva a um baixo investimento das empresas para o e-commerce no nordeste, acreditando que essa aplicação não retornará lucros.

Com o baixo investimento, os fretes aumentam e o e-commerce para essa região acaba sendo pouco atrativo, alcançando poucas lojas que se preocupem em enviar produtos para esses locais.

Um olhar, ainda que superficial, cria a oportunidade para que empresas da região estruturem melhor seus canais de venda e tratem o e-commerce como uma possibilidade de melhorar faturamento e relacionamento com o consumidor que está em sua região.

Oportunidades que superam os desafios
Ainda que existam desafios, observamos que nos últimos anos, o e-commerce no nordeste foi o que mais cresceu no quesito consumidores e compras realizadas. Foram mais de 3 bilhões em faturamento no último semestre, apenas com o crescimento da região.

É uma área pouco explorada, com grande potencial de crescimento. Seu faturamento apresenta números elevados e expectativas positivas para o mercado online, que cresceu mais 7% nos últimos seis meses. Dessa forma, investir no e-commerce no nordeste pode apresentar muitos desafios atualmente, mas, a médio e longo prazo, as oportunidades encontradas superam as adversidades, com um público crescente e crescimento inevitável.

Nas palavras de Aldo Pacheco, especialista em e-commerce, “o nordeste é maior que muitos países e que não se pode ignorar a possibilidade de atingir esse mercado. O e-commerce pode e deve ser considerado como uma estratégia, especialmente pelas empresas locais”.

É nessa perspectiva de um mundo e uma economia em transformação que as empresas devem se reposicionar em vias a melhorar faturamento, lucro líquido, fortalecimento de marca, relacionamento com consumidor dentre outras questões. O nordeste é a solução para o nordeste e o e-commerce faz parte dessa estratégia.

Carlos Luna
Especialista em canais de venda
CEO da Portal Negócios Digitais

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